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domingo, 28 de agosto de 2016

Setembro - Mês da Bíblia

Com o tema “Para que n´Ele nossos povos tenham vida” e o lema “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”, o Mês da Bíblia, setembro de 2016, traz como proposta de estudo o livro do profeta Miqueias.
Buscando auxiliar às comunidades, paróquias e dioceses, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB apresenta dois subsídios para esta celebração.
O Texto-Base aborda, de forma explicativa, o tema e lema. Está organizado em seis capítulos. Já o roteiro de “Encontro Bíblicos” oferece cinco celebrações para a vivência em grupo, além de sugestões de cantos litúrgicos.
Vivência da Palavra
O Mês da Bíblia é celebrado, no Brasil, em setembro. Para o arcebispo de Curitiba (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, dom José Antônio Peruzzo, o Mês da Bíblia na Igreja no Brasil tornou-se espaço de vivência e experiência de fé nas paróquias.
“Graças ao bom Deus, a cada ano vemos crescer nas comunidades de fé o gosto e o sadio anseio por conhecer a Palavra de Deus. Não é apenas curiosidade; não apenas desejo de melhor saber e mais conhecer temas sobre religião. Muito mais, há no coração de nossa gente um secreto desejo de sentido e de esperança. Há uma busca sincera e singela de experiências de fé. Nosso povo quer sentir a proximidade de Deus”, diz.
Dom Peruzzo recorda, ainda, a importância da vivência da Palavra de Deus na vida em comunidade e na família.
“Nosso país precisa de novas experiências de profetismo. O mesmo vale para a nossa Igreja e para as nossas comunidades. Enquanto houver profetas, aqueles que pronunciam a Palavra ouvida de seu Senhor, Deus ainda não terá sido silenciado em meio aos seus. Valorizar a palavra profética, ouvindo-a com humildade e respondendo com fidelidade, é como desejar que a voz de Deus seja sempre a primeira a ressoar e a última a ecoar”, pontua dom Peruzzo.
Subsídio para encontros sobre o tema.

Miqueias é o livro indicado para o Mês da Bíblia de 2016. O tema "Para que nele nossos povos tenham vida" e o lema "Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus" (cf. Mq 6,8), foram escolhidos pela Comissão Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com a colaboração do Serviço de Animação Bíblica (SAB/Paulinas), juntamente com outras instituições bíblicas.
Este subsídio é composto por quatro encontros, os quais são precedidos por um texto de aprofundamento, e uma celebração final. Tem como objetivo proporcionar aos grupos de reflexão e círculos bíblicos um encontro pessoal e comunitário com a Palavra, a partir do livro do profeta Miqueias.
O primeiro encontro reflete sobre a identidade do profeta, que é revelada a partir das respostas às perguntas: Quem profetiza? A quem se dirige? Qual mensagem anuncia? O texto que auxiliará o estudo é Mq 1,2-7.
No segundo encontro, no texto de Mq 3,1-12, Miqueias é apresentado como o profeta da justiça, que denuncia a opressão, confrontando-se com os falsos profetas e as autoridades políticas e religiosas da sua época.
O texto de Mq 7,8-9.18-20 permeia o terceiro encontro, apresentando como Miqueias lança um olhar de esperança, vivenciando a misericórdia em um contexto de injustiças e infidelidades.
O quarto encontro reflete sobre a perspectiva messiânica a partir de Mq 5,1-3. Texto importante para a tradição cristã, que relê essa profecia, aplicando-a a Jesus de Nazaré.
No final, há uma celebração de encerramento, fazendo memória do caminho percorrido nos quatro primeiros encontros.

Fonte: Paulinas




segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Card. Braz de Aviz: Institutos seculares, beleza e modernidade



Assembleia Geral da Conferência Mundial de Institutos Seculares (Cmis)

Com uma missa presidida pelo Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, começam nesta segunda-feira (22/08) os trabalhos da Assembleia Geral da Conferência Mundial de Institutos Seculares (Cmis).

O encontro que reúne 140 participantes de 25 países termina na quinta-feira, 25 de agosto.

Formação e identidade na pauta da Assembleia

Os temas principais são a formação dos membros de Institutos seculares e a identidade da consagração dos próprios Institutos, e portanto, estão presentes no Centro Salesianum de Roma responsáveis gerais de Institutos seculares membros da Conferência e presidentes das Conferências nacionais e continentais de Institutos seculares.

O Cardeal concedeu entrevista ao Programa Brasileiro. Ele começa explicando o que são e qual o papel destes Institutos em na vida da Igreja e na nossa realidade.

Institutos seculares, modernidade e beleza

“Esta forma de vida consagrada é uma novidade moderna. Ela vem de Pio XII, de 1947 (tem a mesma idade que eu, 69 anos). Ela já estava começando a existir um século antes, e foi amadurecendo na Igreja. Ao invés de ser uma forma de consagração dentro de um instituto religioso, formando vida comunitária, vivendo fraternalmente numa mesma casa, esta é uma congregação normalmente individual e tipicamente no meio do mundo, no século – e por isto são chamados ‘seculares’. Não têm a exigência de uma vida comunitária, mas a consagração com as promessas, ou os votos de castidade, pobreza e obediência são feitos, e devem ser cumpridos na própria profissão, na própria família, aonde estiverem. É uma forma muito moderna e muito bonita”.

A intenção de Dom João Braz de Aviz também é agradecer os Institutos seculares pelo diálogo que têm desempenhado junto com a sua Congregação.

Diálogo contínuo e fecundo

“Vou me alegrar muito com eles, porque nós estamos fazendo um percurso muito bonito com a Conferência. Desde 2012 temos percorrido um caminho juntos. Temos um diálogo já institucionalizado, uma ou duas vezes por ano e tem sido muito útil. Temos visto que não há contraposições, o que há é a necessidade de conhecimento da própria vocação. A própria Conferência nos ajudou a pensar muito mais agora esta característica, da secularidade, ou seja, viver no mundo, no meio do mundo e quero agradecê-los por isto. E também hoje, sendo Nossa Senhora Rainha, gostaria de entrar hoje (na homilia, ndr) na figura de Maria, a consagrada por excelência".

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

MENSAGEM DO DIA NACIONAL DA VIDA CONSAGRADA



Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro, presidente da CRB
No próximo dia 21 de agosto, domingo, a Igreja celebra o Dia Nacional do Religioso. Para esta ocasião, a presidência da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Irmã Maria Inês V. Ribeiro, mad, enviou a mensagem que segue.

Queridas Consagradas, queridos Consagrados!
Ninguém pode ficar excluído da alegria do Evangelho. Por isso, Jesus, como no relato de Marcos, continua caminhando ao longo do mar da Galileia, passando pelas bancas de cobradores de impostos e subindo ao monte, para chamar os que ele quer, para estarem com ele, e enviá-los em missão. Cada discípulo(a) missionário(a) é chamado(a) por seu nome, com sua história, seus relacionamentos e compromissos, para que a alegria do Evangelho renasça sem cessar e configure um novo horizonte de esperança.

Toda vocação supõe um caminho ou itinerário de saída de si para centrar a própria existência em Cristo e no Evangelho. Optar por um serviço concreto ao próximo significa olhar nos olhos, estender a mão e avançar com pés de peregrino(a) em direção às periferias existenciais e às novas fronteiras onde a vida mais clama.
Deus conduz todas as coisas com suavidade e sabedoria, e nos faz mesmo trilhar caminhos insuspeitados, porque “já desponta a coisa nova que se propôs a fazer” (Cf. Is 43, 19). Ele conta conosco para manifestar a alegria do Evangelho e tecer relações de misericórdia, através de palavras, atitudes e gestos humanizadores, priorizando os empobrecidos e vulneráveis, as juventudes e a ecologia integral. Somos chamados(as) a ser um sinal de esperança, pois a vocação brota do coração de Deus, germina na terra boa do povo fiel e na experiência do amor fraterno.
“Uma grande tarefa-missão da VRC consiste, outrossim, em trabalhar seu processo de transformação, considerando as grandes transformações que vêm ocorrendo no mundo contemporâneo. Sem esse exercício de adequação responsável e profundo, no que tange às mudanças na sociedade, os/as religiosos(as) estarão, possivelmente, caminhando para uma situação de “esquizofrenia existencial”, desenvolvendo uma mumificação institucional ou uma miopia, frente às novas exigências da vida”.
A Vida Religiosa Consagrada acredita, profundamente, no chamado do Senhor. Com fé e esperança, ela convida todos(as) a assumirem as palavras-chave: “falar, orar e convidar”, porque a “messe é grande e os/as operários(as) são poucos(as)”(Lc 10, 2).
Prossigamos confiantes! Deus é o Senhor da História e caminha conosco!
Parabéns, Consagrados! Parabéns, Consagradas! Por seu SIM renovado!
Presidente e Diretoria da CRB Nacional

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Diretoria da CRB Nacional (2016-2019) e seus encargos



Da esquerda para a direita: Irmão Joaquim Sperandio, fms (Tesoureiro), Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, mad (Presidente), Irmã Paula Francinette da Silva, Irmãs de Nossa Senhora da Glória (2ª vice-presidente), Irmã Maria Petronila de Souza Soares, Missionária da Imaculada Conceição (secretária), Irmã Cacilda Mendes Peixoto, Irmãs Sacramentinas de Nossa Senhora (Conselheira), Irmão Edgar Genuíno Nicodem, Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs (1º Vice-presidente), Frei Cláudio Sérgio de Abreu, Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Conselheiro).

quinta-feira, 21 de julho de 2016

VIGÍLIA DA TRANSFIGURAÇÃO


No Ano da Misericórdia
Vigília da Transfiguração celebra o compromisso dos cristãos de acolher o outro

A Igreja celebra no dia 6 de agosto, a Festa da Transfiguração. Como acontece há 20 anos, o Centro Cultural de Brasília realizará a Vigília da Transfiguração. A partir das 20:30 do sábado (6) até as 5h do domingo (7), encerrando com Missa, a noite transcorrerá com Adoração ao Santíssimo Sacramento, mantras de Taizé, leitura orante do Evangelho, partilhas e dinâmicas.
Este ano, o tema é “Misericórdia, Senhor, Misericórdia”, em referência ao Ano Santo da Misericórdia. Ao longo da noite, os participantes também refletirão sobre a vida de Dom Luciano Mendes de Almeida, jesuíta que, por ter sido sinal da misericórdia de Deus no Brasil, está em processo de beatificação.
“Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração dos seus interlocutores e dava respostas às necessidades mais autênticas que tinham”, dIz o Papa Francisco, no documento Misericordiae Vultus. A Vigília vai recordar que este deve ser também o caminho da Igreja neste início do terceiro milênio. Ela vive a misericórdia não só na perspectiva vertical, administrando a misericórdia divina aos homens, mas também na perspectiva horizontal, ou seja, através dos seus membros ela é chamada a por em prática as obras de misericórdia.
Os organizadores lembram que não é necessário passar toda a noite na Vigília. Para aqueles que se sentirem cansados, mas quiserem permanecer até o fim, haverá colchonetes colocados em uma sala de repouso. Recomenda-se o uso de roupas leves e agasalhos.

SERVIÇO:
EVENTO: VIGÍLIA DA TRANSFIGURAÇÃO
DATA: 6 DE AGOSTO DE 2016
HORÁRIO: 20H30 ATÉ 5H DO DIA 7
LOCAL: CENTRO CULTURAL DE BRASÍLIA (601 NORTE, AO LADO DO SERPRO)

OUTRAS INFORMAÇÕES: ANA PRATA (61) 99291 – 1111.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Homilia do Núncio Apostólico dom Giovanni D'Aniello na 24ª Assembleia da CXRB

Por Patrícia Silva e Rosinha Martins| Durante a 24ª Assembleia Geral Eletiva da CRB Nacional, que aconteceu em Brasília de 11 a 15 de julho, o Núncio Apostólico do Brasil, dom Giovanni D'Aniello, presidiu uma das Celebrações Eucarísticas.

Na ocasião, parafraseando o Papa Francisco, ele recordou a profecia, a proximidade e a esperança como elementos básicos para na Vida Consagrada. "Cada um de vós é chamado a servir os irmãos, seguindo o próprio carisma; alguns com a oração, outros com a catequese, alguns com o ensinamento, outros com o cuidado aos doentes ou aos pobres, alguns anunciando o Evangelho outros cumprindo as diversas obras de misericórdia. É importante não viver para si mesmo, assim como Jesus não viveu para si mesmo, mas para o Pai e por nós". Leia a íntegra da homilia.

24ª Assembleia Geral Eletiva da CRB
CRB, Brasília, 12 de julho de 2016
+ Giovanni d'Aniello
Homilia da Missa
Eminência,
Excelências,
Reverenda Irmã Inês, presidente da CRB,
Queridos religiosos e religiosas,
Caros irmãos e irmãs em Cristo
Primeiramente, quero agradecer a Deus por ter-me propiciado este momento e viver com vocês esta liturgia eucarística no início de seus trabalhos, durante os quais escolherão a nova presidência da Conferência dos Religiosos do Brasil. Desde já confio nos braços de Nossa Mãe comum, a Virgem Maria, suas reflexões e decisões para a escolha daqueles que deverão lhes acompanhar durante o próximo mandato.
Quero também agradecer de coração à Presidente da CRB, Irmã Maria Inês, e toda a Presidência, por ter-me convidado a presidir esta Eucaristia e, assim, viver com vocês um verdadeiro momento de comunhão e unidade. Comunhão e unidade em Cristo, em sua Igreja e com o Santo Padre Francisco na pessoa de seu Representante aqui no Brasil.
Na Liturgia da Palavra deste dia, nossa atenção recai sobre o discurso aparentemente consternado pronunciado por Cristo, diante das três cidades, Corazim, Betsaida e Cafarnaum, em reconhecer os sinais e prodígios realizados por ele, não obstante terem testemunhado sua manifestação.
Os habitantes de tais cidades se recusam a reconhecer as obras de Jesus como sinais de Deus, e se recusam a reconhecê-lo como o Messias anunciado. O discurso em tom desolado de Jesus, portanto, não pode ser outro senão der censura às cidades que, justamente, foram as que presenciaram o maior número de milagres. Era de se esperar que a pregação de Jesus, corroborada pela manifestação do seu poder divino, suscitasse a conversão de seu povo, o qual, não só se fecha à iniciativa de Deus revelada na pessoas de Cristo, como também o rejeita.
A censura de Jesus às cidades, expressa pelas interjeições "ais", contrapõe-se às bem-aventuranças, dirigidas àqueles que acolhem seu Evangelho e passam a moldar a própria vida nele embasados. De nada teria valido o anúncio dos profetas, as reinteradas confirmações da Aliança de Deus com seu povo, que diversas vezes cedeu às seduções da idolatria ao invés da adesão e compromisso com a vontade de Deus. É a mesma recusa do povo em relação ao seu Deus que se constitui no seu próprio juízo condenatório; por isso, também podemos entrever a tristeza de Jesus, não pela rejeição em si, mas pela objeção obstinada à iniciativa amorosa de Deus em vista da salvação de seu povo.
É a história da absurda presunção humana; após a queda e a experiência do pecado, o ser humano é constantemente seduzido a confiar nas próprias forças, ou ainda, "a ser como Deus", fazendo ídolos que satisfaçam a "própria imagem e semelhança". Às vezes, esta postura pode até mesmo se disfarçar daquelas preocupações do muno que, afinal, servem apenas para nos distrair das coisas do céu e desviar o nosso olhar da presença do Senhor. Por isso, enquanto houver vida, há sempre a possibilidade de convertermos a nossa mente e coração ao Senhor, cujo desejo é a nossa salvação; seu convite jamais cessa, ele continua a comunicar a nós sua vontade salvífica, estejamos certos disso! Contudo, seu anúncio é, ao mesmo tempo, constante e iminente, não adiemos nossa resposta.
Na presença do Senhor, como estamos todos agora, temos que reconhecer que muitas vezes nós também, pessoas consagradas a Deus, agimos da mesma forma que o povo de Israel.
Ressoa-me no ânimo a mensagem que o Papa Francisco dirigiu aos Religiosos, palavra que ele mesmo deixou que brotassem do seu coração. Falando aos religiosos em São Pedro em primeiro de fevereiro deste ano, por ocasião do Jubileu da Misericórdia, o Santo Padre Francisco fixou sua atenção sobre três palavras: profecia, proximidade e esperança.Vocês todos lembram muito bem daquele discurso, mas permitam-me inspirar-me nele nas reflexões que humildemente lhes dirijo agora, como seu irmão na fé.
A primeira palavra, a profecia, lembrava o Papa Francisco, é o seu específico. Somos chamados, como bem sabem, a anunciar, diria mais com a nossa vida do que com palavras, a realidade de Deus, Deus que se fez homem e deixou-se pregar numa cruz para nos dar a vida eterna. É um Deus que se mostra "compassivo e misericordioso, cheio de paciência e de amor" (Sl 103,8). É este Deus que devemos fazer conhecer e, para fazê-lo, é necessário, dizia o Papa Francisco, "ter com Ele uma relação pessoal; e por isso é preciso a capacidade de o adorar, de cultivar dia após dia a amizade com Ele, mediante o colóquio coração a coração, na oração, especialmente na adoração silenciosa". A oração, então, torna-se o instrumento mais eficaz para ser paciente como Deus foi paciente para conosco. Ela nos permite tornar-nos homens e mulheres consagrados ao serviço do Senhor que percorrem na Igreja este caminho de pobreza forte, de amor casto, que os leva a uma paternidade e a uma maternidade espiritual por toda a Igreja, uma obediência. Esta obediência é chamada a ser "não militar, porque seria disciplina", como dizia o papa; ela tem que ser obediência de doação do coração.
A profecia, então, como lembra o Papa, "é anunciar às pessoas que existe um caminho de felicidade, de grandeza, uma via que te enche de alegria, que é precisamente a estrada de Jesus. É a estrada de estar próximo de Jesus".
A outra palavra é proximidade. Chamados a segui-lo, autenticamente, temos que ser, como Jesus, próximos das pessoas, compartilhar as suas alegrias e as suas dores; mostrar, com o nosso amor, o rosto paterno de Deus e a carícia materna da Igreja.
"Que nunca ninguém – exortava o Papa Francisco – vos sinta distantes, destacados, fechados e, portanto, estéreis. Cada um de vós é chamado a servir os irmãos, seguindo o próprio carisma; alguns com a oração, outros com a catequese, alguns com o ensinamento, outros com o cuidado aos doentes ou aos pobres, alguns anunciando o Evangelho outros cumprindo as diversas obras de misericórdia. É importante não viver para si mesmo, assim como Jesus não viveu para si mesmo, mas para o Pai e por nós".
A última palavra é a esperança. Como testemunhas autênticas e credíveis de Deus e de seu amor misericordioso, com a graça de Cristo, podemos e devemos infundir esperança nesta nossa humanidade marcada por diversos motivos de ansiedade e temor e, por vezes, tentada ao desânimo. A isso fomos chamados e por isso fomos escolhidos, para fazer sentir, como dizia o Santo Padre, "a força renovadora das bem-aventuranças, da honestidade, da compaixão; o valor da bondade, da vida simples, essencial, cheia de significado".
Mas, tudo isso, podemos realizá-lo somente através da obediência e vivendo-o na comunhão.
Quanto à obediência, constatamos que em Jesus, que nos convida a imitá-lo, ela ocupa um lugar central em sua obra redentora. Em nossa geração atual, o despojamento de si e a humildade são muito difíceis de serem vividas, pois reivindica-se sempre maior autonomia, buscando satisfazer os anseios da própria imaginação. Sem esquecer, obviamente, o protagonismo que, infelizmente, toma conta de vários de nós, gente de Igreja. Não é possível imaginar uma vida religiosa sem a obediência que, no fim, consiste em sacrificar a própria vontade por amor e que, por isso, produz sempre frutos abundantes de salvação para o mundo.
Como dizia o Papa São João Paulo II, para crescer na vida espiritual, é preciso repartir da contemplação da face de Cristo e de uma profunda espiritualidade de comunhão. Isso nos permitirá reconhecer a Cristo na face de nossos irmãos e irmãs, nos pobre, nas crianças, nos marginalizados; dessa forma, nossa vida interior poderá estabelecer uma profunda relação de amizade com Jesus, relação que crescerá ainda mais na Eucaristia, onde se realizará plenamente a configuração em Cristo, para a qual todos os consagrados são chamados (cf. São João Paulo II. Recomeçar a partir de Cristo, n.26).
Em segundo lugar, é preciso esforçar-se para viver uma vida sempre mais orientada para a santidade. Como dizia o Papa São João Paulo II, a santidade é a primeira das necessidades pastorais de nossa época. É uma exigência ainda mais urgente para todos os que Deus chamou para servi-lo mais de perto.
Diante dos desafios que a sociedade de hoje nos apresenta, não devemos esmorecer, pois temos consciência de que nossa perseverança e a evolução de nosso compromisso apostólico se realizam na comunhão com Deus. Por isso, qualquer atividade, por mais urgente, não nos deve afastar da prioridade espiritual que orienta o mandato apostólico recebido.
Portanto, em suas vidas, deem um lugar primordial à vida espiritual. O próprio Deus é quem deve ocupar o primeiro lugar, não as obras, por mais úteis e necessárias que sejam.
Oração e Eucaristia permitirão alcançar uma verdadeira espiritualidade de comunhão que, por sua vez, fará de nós peritos em comunhão e, portanto, autênticas testemunhas do amor.
E comunhão significa unidade, não somente na própria comunidade, entre as diferentes Congregações e Institutos, mas também com a Igreja, em sintonia com os bispos, chamados por Deus mesmo, a ensinar, guiar e santificar, para que o mundo saiba que somos uma única família, com um único Pai, onde todos são irmãos e irmãs em Cristo: uma família cujos membros bebem da mesma fonte, comem do mesmo pão, seguem o mesmo caminho, falam a mesma linguagem, proclamam a mesma mensagem, anunciam e vivem o mesmo amor.
O amor, este sentimento que nos trouxe a redenção através do Cristo, é a finalidade de nossa evangelização, a fim de anunciar o Evangelho, servir à vida e propagar a verdade. Somente assim poderemos realmente tornar-nos "um sinal eficaz e uma força de atração que levam a crer em Cristo" (RdC, n.33). E viver uma identidade mais profunda: ser a manifestação do amor de Deus no mundo. (cf. VC, cap. III).
Sem dúvida, a Igreja hoje necessita prosseguir na contínua proclamação da fé, mediante um testemunho coerente e alegre do Evangelho, pois, como afirma a Evangelii nuntiandi, n. 41: "Será pois, pelo seu comportamento, pela sua vida que, antes de mais nada, a Igreja há de evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo, numa palavra, testemunho de santidade."
Nesta celebração eucarística, enquanto agradeço a Deus pelo testemunho generoso e, por vezes, corajoso, de sua vida e de seu serviço apostólico quero pedir a Deus que continue acompanhando, dando-lhes abundantes graças divinas para que sejam sempre testemunhas autênticas de Sua Palavra e realizem constantemente o pedido que Ele fez ao Pai antes de deixar este mundo: "Ut unum sint"; para que todos sejam um.
A unidade de Sua Igreja, em todas as suas componentes (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos) foi a herança que Cristo nos deixou: a nós, a tarefa de encarná-la e vivê-la todos os dias, em todas nossas vidas e ações, para que o mundo acredite que "somos um como nós Pai, somos um".
Termino esta homilia, fazendo minhas as palavras que lhes dirigiu o Santo Padre Francisco no encontro de fevereiro deste ano: "Queridos irmãos e irmãs, no vosso apostolado quotidiano, não vos deixeis influenciar pela idade nem pelo número. O que mais conta é a capacidade de repetir o "sim" inicial da chamada de Jesus que continua a fazer-se sentir, de forma sempre nova, em cada fase da vida. A sua chamada e a nossa resposta mantêm viva a nossa esperança. Profecia, proximidade e esperança. Vivendo assim, tereis no coração a alegria, sinal distintivo dos seguidores de Jesus e com maior razão os consagrados. E a vossa vida será atraente para tantas e tantos, para a glória de Deus e para a beleza da Esposa de Cristo, a Igreja".
Deixo-lhes o meu agradecimento sincero e profundo por aquilo que são e fazem na Igreja e no mundo. Desejando que os trabalhos destes dias sejam frutuosos. De coração, abençoo-os e os confio nos braços de nossa Mãe celeste. Amém.
+Giovanni d'Aniello
        N. Ap.

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