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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Agradecimento pela canonização de São José de Anchieta

O Presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis, fez um agradecimento ao Papa Francisco pela canonização de José de Anchieta na conclusão da Santa Missa em ação de graças pela canonização do novo santo, nesta quinta-feira, 24,  na Igreja de Santo Inácio, em Roma.

Santidade,
A Igreja no Brasil e o povo brasileiro agradecem a Deus por lhes permitir realizar um sonho que durou mais de 400 anos: ver o Apóstolo do Brasil apresentado à Igreja Universal como testemunha de Jesus Cristo.
Estou certo, Santo Padre, de trazer à sua presença centenas de jesuítas que, ao longo de muitos anos, trabalharam para este momento. Não só dou voz aos filhos de Santo Inácio, mas também a milhares de fiéis leigos envolvidos pela santidade e pelo carisma do Padre Anchieta. Eles deram o melhor de si para que esta celebração acontecesse. Assim, em nome de todos eles, vivos ou já na visão beatífica, quero, do fundo do coração, dizer-lhe: muito obrigado, Santidade!
José de Anchieta chegou jovem ao Brasil, com 19 anos de idade, pouco depois de ter emitido os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. Com um coração juvenil, amou, desde o primeiro contato, o povo brasileiro. A ele, dedicou sua grande inteligência, cultura e erudição, a capacidade de amar e de sofrer por amor. A ele, consagrou suas qualidades humanas, a capacidade de lutar, de ser aguerrido e a sua espiritualidade.
Como um São Francisco do Novo Mundo, revelando notável capacidade de observação da natureza, escreveu a chamada Carta de São Vicente. Nela, com grande erudição, e de modo muito completo e preciso, fez a primeira descrição detalhada da Mata Atlântica, importante bioma brasileiro.
Anchieta, também como o santo de Assis, viveu a pobreza e a simplicidade. Em carta, descreveu como as vivia com os indígenas, chegando ao ponto de relatar que, como toalha de mesa, usavam folha de bananeira, para, em seguida, completar que dela não tinham necessidade, pois qual a razão da toalha se lhes faltava a comida? Como o pobrezinho de Assis, no espírito da perfeita alegria, asseverou que estavam tão felizes naquela situação – ele e os demais jesuítas –, que, ao pensarem no tipo de vida levada nos colégios da Europa, nenhum tipo de saudade lhes vinha ao coração.
Santo Padre, contemplando no Padre Anchieta a simplicidade de vida, o serviço prestado aos marginalizados, o seu modo de vida, encontramos o Senhor da Vida. Nosso Apóstolo se fez santo servindo aos indígenas, aos negros e a todos os pequenos do Brasil. Queremos seguir seus passos. Ele foi o nosso grande e incansável evangelizador. Seu exemplo motiva-nos a irmos destemidamente ao encontro de Jesus Cristo e dos irmãos.
O Padre Anchieta deixou-nos também o exemplo do grande amor que dedicava a Nossa Senhora, a quem sempre pedia socorro. Ela foi sua força e apoio nos momentos cruciais de sua vida: no ambiente conturbado de Coimbra, quando percebeu que sua vida cristã poderia arruinar-se, ou na Aldeia de Iperoig, na costa brasileira, onde, sem nenhum apoio visível – a não ser a oração -, por vários meses permaneceu refém dos índios tupinambá.
Nesse trágico momento, mais uma vez recorreu a Maria e, certo de sua ajuda, começou a escrever o Poema da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, expressão de sua extraordinária devoção e amor à Santíssima Virgem.
Santo Padre, muito obrigado por nos permitir partilhar com os cristãos do mundo todo o belo testemunho que foi a vida de São José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil.

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, SP
Presidente da CNBB

domingo, 28 de julho de 2013

Encontro e almoço do papa com 300 Bispos brasileiros e a Presidência da CNBB

Papa Francisco e o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno Assis
O último compromisso do Papa Francisco neste sábado, antes do encontro com os jovens na Vigília na Praia de Copacabana, foi o encontro e almoço com 300 Bispos brasileiros e a Presidência da CNBB, na sede Arcebispado do Rio de Janeiro.
O Papa leu seu longo e denso discurso percorrendo diversos aspectos da Igreja no Brasil, iniciando por Aparecida, "onde Deus ofereceu ao Brasil sua própria mãe e onde Deus deu também uma lição sobre si mesmo, sobre seu modo de agir. Uma lição sobre a humildade que pertence a Deus como traço essencial: ela está no DNA de Deus"O documento aborda diversos tópicos, como o ‘Apreço pelo percurso da Igreja no Brasil’, o ‘Ícone de Emaús como chave de leitura do presente e do futuro’, ‘Os desafios da Igreja no Brasil’, além de abordar temas como a Colegialidade, missão, função da Igreja no Brasil e Amazônia. O encontro, a pedido do Papa, não foi gravado em áudio ou vídeo para não perder a familiaridade a que se destinava. O Papa foi saudado pelo Cardeal Damasceno Assis.
“A força da Igreja “não está em si mesma”, mas “esconde-se nas águas profundas de Deus nas quais é chamada a lançar as redes”, afirmou o Papa Francisco retomando assim no seu discurso a história de Nossa Senhora de Aparecida.
Na origem da história de Aparecida estão três pobres pescadores que lançam as redes mas não conseguem pegar nada, até pescar uma imagem de cerâmica, primeiro o corpo e após a cabeça. É a imagem da Imaculada Conceição. Somente então conseguem pegar uma grande quantidade de peixe. O Papa Francisco faz referência a esta história para sublinhar que Deus chegou de surpresa. Os pescadores, de sua parte, não desprezam o mistério encontrado no rio, embora seja ainda um mistério incompleto:
“Existe algo de sábio que devemos aprender. Existem pedaços de um mistério, como peças de um mosaico, que encontramos e vemos. Nós queremos ver muito rápido o todo e deus, ao contrário, se revela pouco a pouco. Também a Igreja deve aprender esta espera”.
Os pescadores, após, levam a casa o mistério, confiam a Virgem a sua causa e “permitem assim que as intenções de Deus possam atuar: uma graça, depois outra”. O Senhor desperta no homem o desejo de cuidá-lo no próprio coração e não o desejo de chamar os vizinhos para fazer conhecer a sua beleza. Mas sem a simplicidade da sua atitude, “a nossa missão está destinada ao fracasso”.
“O barco da Igreja, então, o resultado do trabalho pastoral não deve se basear na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor. Servem certamente a tenacidade e organização, mas antes de tudo é necessário “saber que a força da Igreja não reside nela própria, mas se esconde nas águas profundas de Deus, nas quais ela é chamada a lançar as redes”. A Igreja, assim, não pode afastar-se da simplicidade:
“Às vezes perdemos aqueles que não nos entendem, porque desaprendemos a simplicidade, inclusive importando de fora uma racionalidade alheia ao nosso povo. Sem a gramática da simplicidade, a Igreja se priva das condições que tornam possível ‘pescar Deus’ nas águas profundas do seu Mistério”.
Francisco recordou que a Igreja no Brasil aplicou “com originalidade o Concílio Vaticano II e o percurso realizado, mesmo tendo que superar certas enfermidades infantis, levando a uma Igreja gradualmente mais madura, aberta, generosa, missionária”.
A partir daí, o Papa concentrou-se na passagem dos Discípulos de Emaús, escandalizados pela aparente derrota do messias. O pensamento dirigiu-se a todos que abandonam a Igreja por talvez ela parecer muito fria, talvez muito auto-referencial, talvez muito prisioneira das próprias linguagens rígidas. Diante desta situação, “é necessário uma Igreja que não tenha medo de sair na sua noite”, disse Francisco.
“Serve uma Igreja capaz de interceptar o caminho deles. Serve uma Igreja capaz de inserir-se na sua conversa. Serve uma Igreja que saiba dialogar com estes discípulos, que, fugindo de Jerusalém, vagam sem uma meta, sozinhos, com o próprio desencanto, com a desilusão de um cristianismo considerado hoje um ‘terreno estéril’, infecundo, incapaz de gerar um sentido”.

Fonte: news.va

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